Confira tudo sobre o Zika Vírus

Zikagestante

Veja as principais informações sobre as formas de transmissão, os sintomas e o tratamento dessa doença que pode causar microcefalia e outras alterações cerebrais em recém-nascidos. 

A febre do zika vírus, como o nome diz, é uma doença viral aguda caracterizada por erupção cutânea, febre intermitente, dores nas articulações, coceira no corpo, olhos vermelhos, manchas vermelhas na pele, dores musculares e de cabeça. Apresenta evolução benigna, e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente entre três e sete dias.

Transmitido pelo Aedes aegypti, mosquito conhecido por transmitir dengue, febre amarela e chikungunya, o zika vírus começou a circular no Brasil em 2014. Entretanto, apenas em maio de 2015 o Ministério da Saúde registrou os primeiros casos.

No início, a única informação era de que os sintomas do zika eram mais leves do que os da dengue e da febre chikungunya. Mas, após um surto de microcefalia em recém-nascidos do Nordeste, o Ministério da Saúde confirmou que gestante infectada pelo zika pode gerar bebê com malformação no cérebro. A microcefalia pode causar sequelas, como danos mentais, visuais e auditivos.

Atenção, grávidas! É fundamental fazer o pré-natal qualificado e relatar qualquer alteração para seu médico.

 

Transmissão

O mosquito Aedes aegypti é o principal vetor do vírus do zika. Porém, estudos recentes já mostraram que a infecção pode acontecer de mãe para feto via placenta, por transfusões de sangue e pelo leite materno. A transmissão por via sexual e urina está sendo estudada, uma vez que também foi relatada recentemente. Apesar de mais raras, essas formas de contágio não devem ser descartadas.

O Ministério da Saúde diz que todas as formas de transmissão são alvo de pesquisa e que tudo ainda é muito recente e inédito, o que demanda estudos amplos.

 

Diagnóstico

O vírus pode ser detectado pelo exame PCR, que deve ser feito entre o quarto e o sétimo dia, depois do início dos sintomas, sendo, entretanto, ideal que o material seja examinado até o quarto dia. Poucos laboratórios estão capacitados para realizar o exame. As gestantes e recém-nascidos com suspeita da doença têm prioridade na testagem.

 

Sintomas

De acordo com o Ministério da Saúde, 80% dos infectados pelo zika não apresentam sinais da doença. Os outros 20% podem ter febre baixa, dores leves nas articulações, coceira no corpo, olhos vermelhos e quase sempre têm manchas vermelhas na pele. Os sintomas costumam durar de três a sete dias. Segundo o Instituto Oswaldo Cruz, a infecção pelo zika pode ocasionar ainda complicações neurológicas que debilitam músculos, porém, são raros os casos.

 

Tratamento

Não existe tratamento específico para a infecção por zika, assim como para a dengue e a chikungunya. O tratamento recomendado para os casos sintomáticos de zika é baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona, para o controle da febre e manejo da dor. No caso de manchas vermelhas com coceira, os anti-histamínicos podem ser indicados. No entanto, é desaconselhável o uso de ácido acetilsalicílico (AAS, aspirina, dipirona) e outras drogas anti-inflamatórias devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas em infecções semelhantes.

 

Prevenção/vacina

Ainda não existe vacina contra o zika vírus. Pelos menos 15 instituições de todo o mundo investem no desenvolvimento de uma vacina, mas não há previsão de quando serão feitos testes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima um ano e meio para os testes serem iniciados. Até ser disponibilizada no mercado, a vacina pode demorar três anos. Por enquanto, a única forma de prevenir é evitando o contato com o mosquito Aedes aegypti, destruindo os criadouros e as larvas, além de usar repelentes.

 

Repelentes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que não há impedimento para que grávidas usem repelentes, desde que estejam registrados na própria agência reguladora e que sejam seguidas as instruções do rótulo. A Anvisa alerta, no entanto, que tais produtos não devem ser usados em crianças menores de 2 anos. Em crianças entre 2 e 12 anos, a concentração dever ser no máximo 10% e a aplicação deve se restringir a três vezes por dia.

 

Síndrome de Guillain-Barré

O vírus zika, assim como outros agentes infecciosos, pode desencadear a Síndrome de Guillain-Barré. Trata-se de uma reação muito rara a agentes infecciosos, como vírus e bactérias, e tem como sintomas a fraqueza muscular e a paralisia dos músculos.

Os sintomas começam pelas pernas, podendo, em seguida, irradiar para o tronco, braços e face. A síndrome pode apresentar diferentes graus de agressividade, provocando leve fraqueza muscular em alguns pacientes ou casos de paralisia dos membros. O principal risco provocado por esta síndrome é quando afeta músculos respiratórios. Nesse caso, a síndrome pode levar à morte, se não forem adotadas medidas de suporte respiratório.

 

Microcefalia

A microcefalia é uma malformação do cérebro que pode ter diversas origens, como infecção por toxoplasmose, pelo citomegalovírus e, mais recentemente, como foi confirmado, também pelo vírus zika. O uso de álcool e drogas durante a gravidez também podem causar a malformação. Há também casos em que há predisposição genética para a microcefalia, durante a formação da criança no ventre da mãe.

A característica central da microcefalia, como o próprio nome sugere, é a cabeça pequena, ou seja, o bebê nasce com o perímetro cefálico menor do que o da maioria. O novo protocolo do Ministério da Saúde preconiza que se o perímetro for igual a 33 centímetros ou menor, é recomendado fazer uma Ultrassonografia Transfontanela e, se este exame der indícios de que o crânio está selado, a criança passará por uma tomografia.

O protocolo ainda preconiza exames que detectem comprometimento auditivo e visual, que também podem estar associados à microcefalia. O documento determina ainda o acompanhamento de crianças com a malformação do nascimento até os três anos. Quanto mais cedo as crianças começarem o tratamento, melhor o desenvolvimento.

A microcefalia, em si, não é uma doença e sim uma síndrome. Nenhum dos tratamentos consegue “curar” a microcefalia, ou garantir uma vida completamente normal. Entre as principais técnicas que ajudam a dar mais qualidade de vida para os pacientes estão a fisioterapia, a terapia ocupacional e a fonoaudiologia. O tratamento é individualizado, de acordo com as limitações e necessidades de cada paciente.

Segundo especialistas, a infecção pelo vírus do zika pode causar uma série de alterações cerebrais, não apenas a microcefalia.

 

Artrogripose

A médica e pesquisadora paraibana Adriana Melo, especialista em medicina fetal, identificou casos de artrogripose em recém-nascidos. É uma malformação rara também associada a problemas nas 12 primeiras semanas de gestação. A doença causa contraturas nas articulações e rigidez nos tecidos moles, como tendões. Isso faz com que a criança fique com os membros “tortos”. Pode afetar quadris, joelhos, mãos, pés, ombros, cotovelos e punhos.

 

Líquido cerebral

A médica Adriana Melo também identificou que, em muitos casos, os bebês não têm microcefalia, mas continuam tendo o desenvolvimento do cérebro comprometido. Nesses casos, os bebês nascem com uma quantidade maior de líquido dentro do crânio. “A microcefalia significa atrofia cerebral, então o crânio não cresce porque o cérebro fica pequeno. Entretanto, às vezes o crânio pode crescer se dentro da cabeça houver mais líquido, como tem ocorrido”, explica a pesquisadora.

Dessa forma, problemas de atrofia cerebral, possivelmente relacionados a infecção pelo vírus do zika, estão sendo caracterizados como uma síndrome congênita do vírus do zika e não apenas pelo termo microcefalia.